Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tde/2841
Tipo do documento: Tese
Título: Tempo e memória na ficção de William Faulkner
Autor: GRANGEIRO, Alessandra Carlos Costa
Currículo Lattes do Autor: http://lattes.cnpq.br/1523980928704200
Primeiro orientador: CAMARGO, Goiandira de Fatima Ortiz de
Currículo Lattes do primeiro orientador: http://lattes.cnpq.br/3029764057965151
Resumo: Este trabalho é um estudo da obra de William Faulkner concernente à Saga de Yonapatawpha. As obras foram lidas a partir das temáticas tempo e memória. Fizemos um percurso teórico sobre o tempo e evidenciamos a concepção pressuposta no romance do século XVIII, que é a de um tempo singular e linear, e no romance moderno, que é singular/plural. Consideramos a narrativa de um modo geral como uma solução poética para a aporética do tempo e apontamos para o vínculo que a obra literária tem com o mundo e com o leitor. Para isso, fizemos um percurso sobre o caráter tríplice da mimese, com base nas considerações de Paul Ricoeur. Nesse sentido, apontamos, em primeiro lugar, a relação da saga, da tessitura da intriga, com a história do sul dos Estados Unidos. Essa demonstração tem pressuposto o entrecruzamento entre a ficção e a história, pois elas, consideradas conjuntamente, têm o poder de refigurar o tempo. Em segundo lugar, fizemos uma análise da obra O som e a fúria. Nesse ponto, nos ativemos às discussões de Gerard Genette e de Robert Humphrey, pois, além de apreendermos a refiguração do tempo na tessitura da intriga, quisemos apreendê-lo no nível da estrutura imanente da narrativa. Valemo-nos do pressuposto de que a narrativa incorporou o conceito de estrutura das ciências sociais e é com foco no conceito de estrutura, de simultaneidade, que mantivemos a relação entre a ficção e a história. Nesse ponto, demonstramos que a concepção de tempo singular/plural foi mimetizada na estrutura imanente da narrativa. Finalmente, evidenciamos que a relação entre tempo e memória aponta para as questões históricas e para questões metafísicas, para a eternidade que é, para Platão e Agostinho, o oposto do tempo da vivência, da experiência. Além disso, evidenciamos que tanto a história quanto a eternidade também incorporam a concepção de tempo singular/plural. Retomamos as ideias de Ricoeur e empreendemos uma discussão no nível de mimese III, mediante o diálogo com grandes críticos da obra faulkneriana. Fizemos a nossa leitura buscando a convergência entre as obras O som e a fúria e Absalão, Absalão. Segundo nossa leitura, essa convergência dá-se no interesse de Quentin pela história da família de Sutpen. Essas obras, sem se libertarem dos aspectos mais lineares do tempo, exploram os níveis hierárquicos que constituem a profundidade e a complexidade da experiência temporal. Finalizamos a demonstração do caráter tríplice da mimese, bem como os níveis de leitura crítica de um texto que devem apontar para dois caminhos: para o nível de configuração da obra e para o mundo que essa configuração projeta para fora de si, que é uma visão de mundo relacionada a uma experiência temporal, que tem suas raízes nas aporias de Santo Agostinho, ou seja, na grande oposição entre a distentio e a intentio animi.
Abstract: This is a study of William Faulkner s works concerning the saga Yonapatawpha. The works were read from the themes of time and memory. We made a theoretical trajectory over time and noted the conception assumed in the 18th century novel, which has a singular and linear time, and in modern novel, in which time is singular/plural. We consider the narrative, in a general way, as a poetic solution to the aporetic of time and we point to the bond that the literary work has with the world and with the reader. For that we made a trajectory on the threefold character of mimesis, based on considerations of Paul Ricoeur. In this sense, firstly, we point out the relationship of the saga and the weaving of the plot with the history of the southern United States. This demonstration has assumed the intersection between fiction and history, for they, taken together, have the power to refiguring time. Secondly, we analyzed the novel The sound and the fury. At this point, we confined ourselves to discussions of Gerard Genette and Robert Humphrey, for beyond grasping the refiguration of time in the weaving of the plot, we wanted to seize it in the level of the immanent structure of the narrative. We have used the assumption that the narrative incorporated the concept of structure of social sciences, and focusing on the concept of structure, concurrency, that we kept the relationship between fiction and history. At this point, we demonstrate that the concept singular/plural time was mimicked in the immanent structure of the narrative. Finally, we bring to evidence that the relationship between time and memory points to the historical issues and to metaphysical questions, and to eternity, which is, for Plato and Augustine, the opposite of time of living, of experience. Moreover, we put into evidence that both history and eternity also incorporate the concept of singular/plural time. We return to the ideas of Ricoeur and undertake a discussion on the level of mimesis III, through dialogue with major critics of the Faulknerian work. We did our reading seeking convergence between the works The sound and the fury and Absalom, Absalom. From our reading, this convergence occurs in the interest of the Quentin for the history of Sutpen s family. These works, without releasing from the most linear aspects of time, explore the hierarchical levels which constitute the depth and the complexity of temporal experience. We finish the demonstration of the character of the threefold character of mimesis, and the levels of critical reading of a text which should point to two ways: to the configuration level of the work and to the world that this configuration protrudes out of itself, which is a world vision related to a temporal experience, which has its roots in the aporiae of St. Augustine, that is, in great contrast between the distentio and the intentio animi.
Palavras-chave: tempo
memória
história
eternidade
narrativa
mimese
William Faulkner
time
memory
history
eternity
narrative
mimesis
William Faulkner
Área(s) do CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Idioma: por
País: BR
Instituição: Universidade Federal de Goiás
Sigla da instituição: UFG
Departamento: Linguistica, Letras e Artes
Programa: Doutorado em Letras e Linguistica
Citação: GRANGEIRO, Alessandra Carlos Costa. Tempo e memória na ficção de William Faulkner. 2011. 240 f. Tese (Doutorado em Linguistica, Letras e Artes) - Universidade Federal de Goiás, Goiania, 2011.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tde/2841
Data de defesa: 27-Jun-2011
Aparece nas coleções:Doutorado em Letras e Linguística (FL)

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