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Tipo do documento: Dissertação
Título: Das infâncias naturalistas à infância histórica: um estudo à luz da crítica de L. S. Vigotski à psicologia infantil
Autor: Santos, Priscilla Menescal Vieira dos
Currículo Lattes do Autor: http://lattes.cnpq.br/1510007711828076
Primeiro orientador: Rodrigues, Anderson de Brito
Currículo Lattes do primeiro orientador: http://lattes.cnpq.br/3108480037296614
Primeiro membro da banca: Rodrigues, Anderson de Brito
Segundo membro da banca: Santos, Lívia Gomes dos
Terceiro membro da banca: Rodrigues, Divino de Jesus da Silva
Resumo: A infância tem sido tradicionalmente entendida pela psicologia como um dado inquestionável, universal e natural, em geral, apenas como uma etapa do desenvolvimento. Em algumas pesquisas recentes em produções acadêmicas de psicologia, há a presença frequente de duas principais definições de infância: a infância como etapa natural-biológica e a infância como uma construção sócio-histórica, em que predomina a definição de infância como etapa biológica, por nós denominada como infância naturalista, conforme a crítica de L. S. Vigotski ao naturalismo presente na psicologia infantil. No entanto, essas definições de infância também têm se mostrado como meras repetições irrefletidas, em que não sabemos o que significa dizer que a infância é uma etapa biológica ou mesmouma construção sócio-histórica. Neste trabalho, optamos pelo uso de concepções de infância por se tratar, conforme a definição de Santos (1996), de uma abstração de propriedades individuais definidas pelos valores da cultura. Assim, nos valemos da teoria histórico-cultural de L. S. Vigotski e seu conceito de cultura para abordamos as concepções de infância em dois aspectos: 1) os seres humanos como produtores de cultura e modos de vida, incluindo modos de vida da infância; 2) social e cultura como componentes da verdadeira fonte do desenvolvimento individual da criança. A nossa questão formulou-se da seguinte maneira: é possível verificar, em produções atuais, as principais características, bases teóricas e epistemológicas das concepções de infância que emergiram com a institucionalização da Psicologia? Portanto, o objetivo geral desse trabalho foi investigar como as concepções de infância, sobretudo, as concepções naturalistas se relacionaram com a Psicologia no momento de sua constituição como disciplina científica. Já os objetivos específicos foram: 1) identificar como foram constituídas as diferentes concepções de infância na história da modernidade; 2) construir um instrumento para identificação e análise de concepções de infância com base no texto El problema de La edad (Vigotski, [1932]2006); 3) analisar pesquisas de doutorado em psicologia que têm como objeto de estudo a infância, a criança e/ou o desenvolvimento infantil, publicadas entre os anos de 2010 a 2016, visando verificar quais foram as concepções de infância adotadas. Identificamos nesta pesquisa relações estreitas entre os problemas epistemológicos e metodológicos da disciplina psicológica e as concepções de infância que emergiram em seus momentos fundantes. As infâncias naturalistas são, além de outras características identificadas, concepções com estreitas alianças com as ciências naturais e apresentam forte cunho ideológico. Com a sistematização dos principais aspectos da crítica de Vigotski à ciência psicológica e à psicologia infantil, construímos um instrumento capaz de identificar e analisar concepções de infância em pesquisas de psicologia. Em nossas análises encontramos concepções naturalistas de infância em produções recentes, fundamentadas principalmente pelas teorias de Piaget, Freud e Jung. E também encontramos a concepção histórica de infância em três das nove pesquisas de doutorado analisadas, pautadas nas teorias psicológicas de Erik Erikson e de Urie Bronfenbrenner.
Abstract: In general, childhood has been traditionally understood by psychology as an unquestionable, universal and natural fact, a stage of development. Recent academic researches show frequently two main definitions of childhood: a natural-biological stage and a socio-historical development – in which we define childhood as a biological stage, termed as a naturalistic childhood, according to LS Vygotsky's critique of naturalism in child psychology. However, these definitions have also proved to be mere thoughtless repetitions, in which we do not know what it means to affirm that childhood is a biological stage or even a socio-historical development. In the present work we opted for the use of childhood conceptions because it is, according to the definition of Santos (1996), an abstraction of individual properties defined by the values of culture. Thus, we draw on L. S. Vygotsky’s historical-cultural theory and his concept of culture to address childhood conceptions in two respects: 1) human beings as producers of culture and lifestyles, including childhood lifestyles; 2) society and culture as components of the true source of the child's individual development. Our question was formulated as follows: is it possible to verify in current productions the main characteristics, theoretical and epistemological bases of childhood’s conceptions that emerged with the institutionalization of Psychology? Therefore, the general objective of this work was to investigate how childhood conceptions, especially naturalistic conceptions, were related to Psychology at the moment of its constitution as a scientific discipline. The specific objectives were: 1) to identify how the different conceptions of childhood were constituted in modernity’s history; 2) construct an instrument for identification and analysis of childhood conceptions based on the text El problema de la edad (Vigotski, [1932] 2006); 3) to analyse doctoral researches in psychology that has as object of study childhood, child and / or child development, published between the years 2010 and 2016, aiming to verify what were the conceptions of childhood adopted. We identified close relationships between the epistemological and methodological problems of psychological discipline and the conceptions of childhood that emerged in its founding moments. Naturalistic childhoods are, in addition to other identified characteristics, conceptions with close alliances with natural sciences and have a strong ideological imprint. With the systematization of Vygotsky's critique of psychological science and child psychology we built an instrument capable of identifying and analysing childhood conceptions in psychology researches. In our analyses we found naturalistic conceptions of childhood in recent productions, based mainly on Piaget's theories; Freud and Jung. Also, we found the historical conception of childhood in three of the nine doctoral researches analysed, based on the psychological theories of Erik Erikson and Urie Bronfenbrenner.
Palavras-chave: Infância naturalista
Infância biológica
Psicologia infantil
Infância histórica
Teoria histórico-cultural
Naturalistic childhood
Biological childhood
Child psicology
Historical childhood
Historical-cultural theory
Área(s) do CNPq: CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal de Goiás
Sigla da instituição: UFG
Departamento: Faculdade de Educação - FE (RG)
Programa: Programa de Pós-graduação em Psicologia (FE)
Citação: SANTOS, P. M. V. Das infâncias naturalistas à infância histórica: um estudo à luz da crítica de L. S. Vigotski à psicologia infantil. 2019. 164 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/10372
Data de defesa: 28-Mar-2019
Aparece nas coleções:Mestrado em Psicologia (FE)

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