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Tipo do documento: Tese
Título: Eternos órfãos da saúde - medicina, política e construção da lepra em Goiás (1830-1962)
Título(s) alternativo(s): Eternels orphelins de la santé - médecine, politique et construction de la lèpre dans l’eat de Goiás (1830-1962)
Autor: Silva, Leicy Francisca da
Currículo Lattes do Autor: http://lattes.cnpq.br/3259263386022720
Primeiro orientador: Salomon, Marlon Jeiso
Currículo Lattes do primeiro orientador: http://lattes.cnpq.br/0631789010231492
Primeiro membro da banca: Salomon, Marlon Jeison
Segundo membro da banca: Olinto, Beatriz Anselmo
Terceiro membro da banca: Figueiredo, Betânia Gonçalves
Quarto membro da banca: Arrais, Cristiano Pereira Alencar
Quinto membro da banca: Magalhães, Sônia Maria de
Resumo: Esta tese tem como objetivo principal analisar o processo de construção da lepra em Goiás. Para tanto, busca, por meio das análises dos discursos médicos e políticos produzidos no período entre 1830 a 1962, observar as transformações referentes ao modo de pensar e expressar o problema e os elementos relativos ao poder e ao saber que constroem a doença como problema médico-político. Os principais documentos utilizados nessa análise são os relatórios de médicos-viajantes, revistas médicas goianas, relatórios dos governos provinciais/estaduais e jornais locais. A hipótese defendida é que ocorre em Goiás, na década de 1920, uma transformação na forma de conceber a doença. A morfeia, que no século XIX era vista como possivelmente curável e cujos doentes conviviam nos espaços urbanos com os sadios, dá lugar à lepra, uma doença contagiosa, que se expandia pelos espaços pobres e “sem civilização”, e que exigia ações do Estado para sua contenção. Esta transformação se faz contextualizada no aumento do interesse pelo espaço do interior do Brasil e na disputa discursiva com respeito à mudança da capital federal para Goiás. Os discursos construídos em torno desta questão apresentam um espaço e uma população caracterizados pela doença e pela ausência do poder público. Assim, os governos, sem condições para assumir a política sanitária de assistência médica aos doentes, nas décadas de 1920 e 1930, deixam esse papel para as instituições filantrópicas, sendo que no final da década de 1930 e na década de 1940 ele é apropriado pelo Estado, que centraliza a política de profilaxia e a relaciona fortemente com o projeto de construção da nova capital estadual. Para os médicos, a luta pela hegemonia sobre o problema serve como mote para o fortalecimento da classe e para sua projeção no campo da política, na defesa do progresso regional.
Abstract: Le principal objectif de cette thèse est d’analyser le processus de construction de la lèpre dans l’Etat de Goiás, au Brésil. Pour ce faire, on a cherché, par l’analyse des discours médicaux et politiques produits pendant la période comprise entre 1830 et 1962, à observer les transformations de la façon de penser et d’exprimer le problème, et les éléments relatifs au pouvoir et au savoir qui construisent la maladie comme problème médico-politique. Les principaux documents utilisés dans cette analyse se composent de rapports médicaux, de revues médicales de Goiás, de rapports gouvernementaux des Provinces/Etats, et de journaux locaux. L’hypothèse défendue est que la manière de concevoir la maladie analysée s’est transformée à Goiás dans les années 1920. La morphée, qui était vue, au XIXe siècle, comme possiblement curable et dont les malades coexistaient avec les sains dans les espaces urbains, a donné place à la lèpre, maladie contagieuse qui se propage sur les espaces pauvres et “sans civilisation” de l’Etat, et qui exigeait que des actions soient entreprises pour la contenir. Cette transformation a lieu dans un contexte de croissance de l’intérêt porté à l’espace de l’intérieur du Brésil et à un moment de dispute discursive au sujet du transfert de la capitale fédérale de Rio de Janeiro à Goiás. Les discours construits autour de cette question présentaient un espace et une population caractérisés par la maladie et par l’absence du pouvoir public. Ainsi, les gouvernements, sans moyens d’assumer la politique sanitaire d’assistance médicale aux malades dans les années 1920 et 1930, laissent ce rôle aux institutions philanthropiques ; alors qu’à la fin des années 1930 et pendant les années 1940, l’Etat se l’approprie et centralise la politique de prophylaxie qu’il rapproche fortement du projet de construction de la nouvelle capitale de l’Etat de Goiás. Pour les médecins, la lutte pour l’hégémonie sur le problème sert de mot d’ordre pour le renforcement de la classe et pour sa projection sur la scène politique, dans le cadre de la défense du progrès régional.
This thesis aims at analyzing the process of construction of Leprosy in the Goiás. It seeks to observe the changes referring to the ways of thinking and of expressing the problem, as well as the factors related to power and knowledge, which constructs a disease as a medical-political problem, through the analyzes of the medical and political discourses produced over the period between 1830-1962. The main documents used for the analysis were the reports of general practicioners, medical magazines from Goiás, reports from the local and state government and local newspapers as well. The hypothesis is that in Goiás, in the 1920’s, there was a change in the way the disease was conceived. The morphea, which in the nineteenth century, was seen as a possibly curable disease and whose patients lived in urban areas together with the healthy individuous, gave place to leprosy, a contagious disease, that spread over the poor and uncivilization areas, which demanded state measures in order to control it. This change becomes contextualized in the increased interest in the countryside of Brazil and in the discursive dispute with respect to moving the Federal capital to Goiás. The discourse constructed around of this issue represents a space and a population characterized by the disease and the absence of the State power. Thus, the government, without conditions to undertake the sanitary policy for patients ‘medical care, in the 1920’s and in the 1930’s, allowed the phylantropic institutions to take care of it, though it was later taken over by the State at the end of the 1930’s and the 1940’s, which centralized the prophylaxis policy and strongly relates to the construction project of the new State capital. For the doctors, the struggle for hegemony over the issue serves as a motto for the strengthening of the class and their projections in the field of politics, in the defence of regional progress.
Palavras-chave: História da saúde e das doenças
Discursos médicos
Lepra
Isolamento
Goiás
Histoire de la santé et des maladies
Discours médicaux
Lèpre
Isolement
History of health and disease
Medical discourses
Leprosy
Isolation
Área(s) do CNPq: CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal de Goiás
Sigla da instituição: UFG
Departamento: Faculdade de História - FH (RG)
Programa: Programa de Pós-graduação em Historia (FH)
Citação: SILVA, Leicy Francisca da. Eternos órfãos da saúde - medicina, política e construção da lepra em Goiás (1830-1962). 2013. 358 f. Tese (Doutorado em História) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2013.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/3460
Data de defesa: 23-Ago-2013
Aparece nas coleções:Doutorado em História (FH)

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