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Tipo do documento: Tese
Título: Code-switching em Akwẽ-Xerente/Português
Título(s) alternativo(s): Code-switching in Akwẽ-Xerente/Português
Autor: Mesquita, Rodrigo
Currículo Lattes do Autor: http://lattes.cnpq.br/5548893095432807
Primeiro orientador: Braggio, Silvia Lucia Bigonjal
Currículo Lattes do primeiro orientador: http://lattes.cnpq.br/0112693513148280
Primeiro membro da banca: Braggio, Silvia Lucia Bigonjal
Segundo membro da banca: Grannier, Daniele Marcelle
Terceiro membro da banca: Mello, Heloísa Augusta Brito de
Quarto membro da banca: Siqueira, Kênia Mara de Freitas
Quinto membro da banca: Sousa Filho, Sinval Martins de
Resumo: O povo indígena xerente (Jê) habita a margem direita do rio Tocantins, aproximadamente cem quilômetros ao norte de Palmas (TO) e tem uma população estimada em 3.600 indivíduos. Após um histórico de mais de duzentos anos de contato com os não índios, os xerente mantêm a sua língua e traços culturais singulares, que constituem uma maneira particular de perceber e se inserir na realidade. Em consequência desse processo de contato cada vez mais acelerado, os xerente se encontram em estágio de bilinguismo alto (BRAGGIO, 2012), situação reveladora de fenômenos diversos, entre eles, o code-switching (CS). Nosso trabalho tem foco especial sobre esse fenômeno, com objetivo de seu entendimento amplo no que diz respeito às características gramaticais, tipológicas e as motivações sócio-pragmáticas do code-switching na comunidade de fala xerente. Os dados da análise gramatical, realizada com suporte dos modelos Matrix Language Frame Model (MLF) e 4-M (MYERS-SCOTTON, 1993a, 2002) mostram que, no CS utilizado pelos akwe, a matrix language (ML), majoritariamente, é a língua xerente, restando ao português a posição de embedded language (EL) dentro da projeção do complementador (ou CP bilíngue), unidade de análise do modelo MLF. Além disso, nossos dados apresentam amostras que constituem fatos considerados mais raros em estudos prévios que aplicaram o modelo MLF. Trata-se de inserções isoladas de morfemas gramaticais que apresentam o traço [- referência à informação gramatical externa ao núcleo do sintagma] e advérbios, o que enxergamos, juntamente com a recorrência do uso de alguns nomes e verbos do português (prováveis empréstimos), como um indício do grau avançado de contato entre as línguas xerente e portuguesa, reflexo da diferença de peso entre elas em alguns domínios sociais. Essas configurações do contato também são reveladas pelas análises das variáveis sociolinguísticas e das motivações sócio-pragmáticas do CS, realizadas sob o prisma do Modelo de Marcação (MYERS-SCOTTON, 1993b), com apoio da abordagem sociointeracional de Gumperz (1982) e dos pressupostos da Etnografia da Comunicação (HYMES, 1972[1964], 1974 e 1986). Verifica-se, então, que é no ambiente urbano, entre os mais jovens e mais escolarizados que se dá uma maior intensidade e variedade no uso de CS. Na análise da variável tópico, destaca-se o uso de CS em assuntos que abrangem domínios sociais relacionados à língua/cultura dominante, exatamente onde há pontos de conflitos diglóssicos em que as línguas são levadas, como aponta Braggio (2010), a uma situação de concorrência. Entre os eventos analisados, as falas rituais dos anciãos são, de longe, os eventos mais resistentes ao contato com o português. Já os eventos realizados na cidade, assim como os demais eventos em que os tópicos são relacionados a tal ambiente, são os que apresentam maior frequência e diversidade/complexidade de CS. O fenômeno se apresenta como escolha não marcada ou exploratória justamente nesses eventos, o que configura o português como um índice de um conjunto de atributos que inclui os traços [+educação], [+formalidade], [+autoridade], [+oficial] e [+status sociocultural]. Diante disso, acreditamos que o amplo entendimento do code-switching e das configurações sociolinguísticas em que ele ocorre, pode contribuir para educação escolar indígena, no sentido de auxiliar na elaboração de materiais didáticos e a traçar metas de políticas linguísticas voltadas para a vitalização, fortalecimento da autonomia linguística e cultural do povo akwe. Ademais, o trabalho também oferece uma contribuição à linguística, à sociolinguística, ao estudo de línguas em contato e ao estudo das línguas indígenas, em especial da língua akwe xerente.
Abstract: The Xerente inhabit the right margin of the Tocantins river, approximately 100 km north of Palmas (TO), and the population comprises 3,600 individuals. After more than two hundred years of contact with non-indigenous populations, the Xerente maintain their language and unique cultural traits, a particular way to perceive and immerse themselves in real life. As a consequence of this accelerated process of contact with non-indigenous populations, the Xerente are now in a stage of high bilingualism (BRAGGIO, 2012), a situation that reveals several phenomena, among them, one which is called code-switching (CS). Our work focuses on this phenomenon. The goal is to attain a broad understanding of grammatical and typological characteristics and the social and pragmatic motivations of CS in the Xerentespeaking community. Data from the grammatical analysis, performed with the support of the Matrix Language Frame Model (MLF) and 4-M (MYERS-SCOTTON, 1993a, 2002) models show that, in the CS used by the Akwe, the matrix language (ML) is predominantly the Xerente language, while the Portuguese language is relegated to the position of embedded language (EL) within the bilingual projection of Complementizer (CP), the unit of analysis of the MFL. Additionally, our data present samples of facts which previous studies applying the MLF model have considered to be rare. It has to do with the isolated insertion of grammatical morphemes presenting with the trace [-refers to grammatical information outside of Maximal Projection of Head] and adverbs, which we see, along with the recurrent use of some names and verbs from the Portuguese language (probably borrowings), as evidence of the advanced degree of contact between the Xerente and the Portuguese languages. This reflects the different weight of these languages in certain social domains. The configurations of this contact are also revealed by the analysis of the sociolinguistic variables and the social and pragmatic motivation of the CS, realized under the light of the Markedness Model (MYERSSCOTTON, 1993b), supported by Gumperz (1982) social and interactional approach and the assumptions of the Ethnography of Communication (HYMES, 1972[1964], 1974, 1986). It is then possible to determine that in the urban environment, among the younger population with more schooling, there is a more intense and varied use of CS. In the topic variable analysis, CS is mostly used in subjects regarding social domains related to the predominant language/culture, exactly where there are instances of diglossic conflicts in which languages find themselves in a situation of competitiveness, as pointed out by Braggio (2010). Among the events analyzed, the ritual speech of the elders is, by far, that which presents the greatest resistance to contact with Portuguese. However, in events that take place in the city, as well as other events in which topics are related to that environment, we see CS being used more frequently and presenting greater diversity/complexity. The phenomenon presents itself as a unmarked or exploratory choice, precisely in these events, which gives Portuguese a series of attributes that include the traces [+education], [+formality], [+authority], [+official] and [+sociocultural status]. In view of that, we believe that a broad understanding of CS and of the sociolinguistic configurations in which it takes place, can contribute to the academic education of indigenous populations, in the sense that it will help in the preparation of pedagogical materials. It will also help to establish goals for linguistic policies geared towards providing vitality, and strength to the linguistic and cultural autonomy of the Xerente people. Moreover, the paper also offers a contribution to sociolinguistics, to the study of languages in contact and to the study of indigenous languages, most notably, the Akwe-Xerente language.
Palavras-chave: Línguas em contato
Língua indígena
Code-switching
Língua akwe xerente
Língua portuguesa
Sociolinguística
Languages in contact
Indigenous languages
Code-switching
Akwe-Xerente language
Portuguese language
Sociolinguistics
Área(s) do CNPq: LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal de Goiás
Sigla da instituição: UFG
Departamento: Faculdade de Letras - FL (RG)
Programa: Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística (FL)
Citação: MESQUITA, Rodrigo. Code-switching em Akwẽ-Xerente/Português. 2015. 245 f. Tese (Doutorado em Letras e Linguística) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2015.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/4614
Data de defesa: 12-Mar-2015
Aparece nas coleções:Doutorado em Letras e Linguística (FL)

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