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Tipo do documento: Tese
Título: Pisando em óvulos: a violência obstétrica como uma punição sexual às mulheres
Título(s) alternativo(s): Stepping into ova: obstetric violence as a sexual punishment of women
Autor: Ferreira, Maíra Soares
Currículo Lattes do Autor: http://lattes.cnpq.br/9492514060508234
Primeiro orientador: Gonçalves, Eliane
Currículo Lattes do primeiro orientador: http://lattes.cnpq.br/7413052054334814
Primeiro membro da banca: Gonçalves, Eliane
Segundo membro da banca: Rodrigues, Marlene Teixeira
Terceiro membro da banca: Ramos, Ticiana Osvald
Quarto membro da banca: Amaral, Marcela
Quinto membro da banca: Nunes, Jordão Horta
Resumo: Diante de um contexto social em que predominam os partos instrumentais, via cirurgia cesariana, nos hospitais particulares e a "cascata de intervenções" nos partos vaginais dos hospitais públicos brasileiros, o movimento de mulheres marcou o início do século XXI com a nomeação da "violência obstétrica" (VO). A compreensão da VO abarca desde agressões físicas, psicológicas, verbais, simbólicas, sexuais até negligências nas assistências, discriminação, medicalização excessiva e inapropriada, adesão a práticas obstétricas desaconselhadas, dolorosas, prejudiciais e sem embasamento em evidências científicas - vividas no momento da gestação, parto, nascimento e pós parto. Diante deste cenário, o objetivo geral da tese é analisar os aspectos desta violência - com imposição de dor, sofrimentos e mortes evitáveis, legitimada pela ciência obstétrica e autorizada pelo Estado como assistência à saúde sexual e reprodutiva. A hipótese que norteou a pesquisa é a de que a VO é um ato misógino de punição às mulheres, resultado de séculos de negação de sua sexualidade e capacidade de decidir. A pergunta central a qual a pesquisa buscou responder é como se deu a autorização política para violentar os corpos de mulheres, assim como sua naturalização e invisibilização justificadas pela ciência obstétrica e praticadas por sua assistência à saúde sexual e reprodutiva. Utilizando de uma abordagem qualitativa, a pesquisa se desenvolveu em três dimensões: 1) Reconstrução genealógica do termo e análise da conjuntura da VO a partir de casos denunciados, instrumentos normativos, documentações nacionais e internacionais, atuações civis, conceituações e tipificações; 2) Análise de dados secundários de um inquérito nacional sistematizado pela Fiocruz em 2014 e 3) Relatos de observação participante em partos e rodas de parto na capital e em uma cidade do interior de Goiás, além de um relato autobiográfico situado e focalizado. As análises se fundamentaram na teoria social de cunho construcionista e nas teorias feministas, com destaque para as contribuições da interseccionalidade. Com este acervo de conhecimentos foi possível refletir sobre como as relações intrínsecas entre Estado e Parto e via as diferentes assistências - pública e privada - coordenam a disciplina sobre o corpo expropriado das mulheres conforme seus marcadores sociais de cor, classe, raça/etnia e gênero. Desse modo, há importantes indícios de que os processos de usurpação científica operados pela atual ciência obstétrica sobre a antiga parteria tradicional, a utilização política da atuação das parteiras nas comunidades fora do alcance/interesse do Estado, a desigualdade entre as violências conforme as mulheres e as assistências, o imperativo de uma obstetrícia sem evidências científicas e o próprio engodo dos programas políticos da "humanização", estejam todos a serviço do controle deste Estado ocupado em manter a punição sexual às mulheres.
Abstract: Faced with a social context in which instrumental deliveries predominate through cesarean surgery in private hospitals and the "cascade of interventions" in the vaginal deliveries of Brazilian public hospitals, a women's movement marked the beginning of the 21st century with the appointment of "obstetric violence" (OV). The understanding of OV ranges from physical, psychological, verbal, symbolic, sexual aggressions to negligence in attendance, discrimination, excessive and inappropriate medication, consent to obstetric practices not recommended, painful, harmful and unfounded in scientific evidence - lived during the gestation, childbirth, birth and postpartum. Given this scenario, the aim of the thesis is to analyze the aspects of this violence - with imposition of pain, suffering and avoidable deaths, legitimized by obstetric science and authorized by the State as sexual and reproductive health care. The hypothesis that guided the research is that OV is a misogynist act of punishment to women, the result of centuries of denial of their sexuality and ability to decide. The central question that the research sought to answer is how political authorization was given to violate women's bodies, as well as its naturalization and justified invisibility in obstetric science and practiced in sexual and reproductive health care. Using a qualitative approach, the research developed in three dimensions: 1) Genealogical reconstruction of the term and analysis of the OV conjuncture from reported cases, normative instruments, national and international documentation, civil actions, conceptualizations and typifications; 2) Analysis of secondary data from a national survey systematized by FIOCRUZ in 2014 and (3) Reports of participant observation in labor and delivery in the capital and in a rural city of the state of Goiás, as well as an autobiographical narrative situated and focused. The analyzes were based on social theory of constructionist and feminist theories, with emphasis on the contributions of intersectionality. With this body of knowledge, it was possible to reflect on how the intrinsic relations between the State, childbirth and the different health care - public and private - coordinate the discipline on the expropriated body of women, according to their social markers of color, class, race/ethnicity and genre. Thus, there are important indications that the processes of scientific usurpation operated by the current obstetrical science on the old traditional midwife, the policies of the state against the performance of midwives in the communities, the inequality between the violence of women according to women and assertions, the imperative of obstetrics without scientific evidence, and the deception of the political programs of "humanization", are all at the service of the control of this State engaged in maintaining sexual punishment of women.
Palavras-chave: Violência obstétrica
Parto
Punição sexual
Saúde sexual e reprodutiva
Gênero
Childbirth
Sexual punishment
Sexual and reproductive health
Gender
Obstetric violence
Área(s) do CNPq: CIENCIAS HUMANAS::SOCIOLOGIA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Federal de Goiás
Sigla da instituição: UFG
Departamento: Faculdade de Ciências Sociais - FCS (RG)
Programa: Programa de Pós-graduação em Sociologia (FCS)
Citação: FERREIRA, Maíra Soares. Pisando em óvulos: a violência obstétrica como uma punição sexual às mulheres. 2019. 204 f. Tese (Doutorado em Sociologia) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2019.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/9989
Data de defesa: 17-Jun-2019
Aparece nas coleções:Doutorado em Sociologia (FCS)

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